VIETNÃ – ESTRELA DA INDOCHINA

Maria das Grašas Targino

 

Eis um interessante exercício – antes de começar a ler o texto, pense: quais são as ideias que a palavra Vietnã (ou Vietname ou Vietnam) lhe sugere? A Guerra do Vietnã? Aqueles chapéus enormes? Lanternas coloridas de papel por toda parte? Muitas motos nas ruas? Povo de olhinhos fechados? Você pode ter pensado nisso ou naquilo. Vale tudo. Lembranças da Guerra. Chapéus de folhas para os imensos arrozais ou para o dia a dia, os interessantes nón lá. Lanternas de papel. Trânsito infernal dominado por motos velozes. Povo com olhos rasgados...

 

Se quando você caminha pelo mundo, nem carrega consigo problemas que lhe acompanham no dia a dia de trabalho nem tampouco leva a casa às costas, pode descobrir o Vietnã pouco a pouco como “a estrela da Indochina”. Isto porque, as estrelas, quando observadas a olho nu se mostram cintilantes e tal cintilação é definida por sua magnitude. O mesmo ocorre com a República Socialista de Vietnam, assim denominada depois da unificação do Vietnã (vitória do Vietnã do Norte sobre o Vietnã do Sul), formalizada em 2 de julho de 1976. O brilho desse país estonteante, adepto do socialismo unipartidário e do comunismo, está à mercê do olhar de cada um. A nós compete imprimir maior ou menor grandeza diante de seu território de 331 689 km², limitados a leste e ao sul com o Mar da China Meridional; ao sudeste, Golfo da Tailândia; ao norte, China; e ao oeste, Laos e Camboja.

 

POVO VIETNAMITA: UM POUCO DE SEU UNIVERSO

 

Para quem tende a subestimar povos supersticiosos, o Vietnã pode trazer desconforto. Para quem segue de coração aberto para desvendar mistérios de um povo sofrido, mas pleno de esperanças, o país é uma estrela luzente, onde a etnia vietnamita domina a população, com 73,6 milhões de indivíduos, que correspondem a, aproximadamente, 80,42% da população total, estimada em 91,5 milhões de habitantes. Ao lado dos vietnameses, há 54 grupos étnicos minoritários, tais como: hmong, yao, tay, khmers krom, muong, degar e nùng. Os chineses, etnia hoa, não são benquistos pelos vietnamianos, de modo que entre os anos 70 e 80, muitos deixam o país de volta a seu território, face à tensão então existente entre Vietnã e China. Mesmo assim, o bairro chinês, em Saigon, abriga, hoje, mais ou menos 600 mil cidadãos.

 

De fato, o Vietnã é uma nação extremamente povoada, com densidade demográfica de 253 hab./km². A concentração populacional se dá nas zonas rurais (70,4 %), ênfase para os deltas aluviais e planícies costeiras, em contraposição às áreas urbanas, com minguados 29,6%. A justificativa está “na cara” do visitante. A economia do Vietnã é majoritariamente agrícola, embora o turismo cresça a cada ano. Agricultura, pesca e silvicultura empregam quase dois terços da força de trabalho. A produção de arroz ocupa o primeiro lugar, embora batata-doce, milho, mandioca, frutas e legumes, café, tabaco, cana-de-açúcar, algodão, soja e borracha também sejam cultivados.

 

Dentre as numerosas crendices, acredita-se que se as crianças olharem muito para a lua cheia e / ou lua nova, esta pode roubar sua alma. Da mesma forma, não se deve admirá-las ou achá-las encantadoras – este gesto causa mau agouro. O zelo com a infância continua: nunca dizer palavrões diante de meninos e meninas, nem mesmo a palavra “merda”. Apesar desses cuidados nas idades mais tenras e dos esforços contínuos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), única organização mundial voltada especificamente para a defesa dos direitos das crianças, com contínuo combate à exploração sexual infanto-juvenil, no Vietnã, há incidência elevada de prostituição, sobretudo entre os campesinos, envolvendo meninas entre 11 e 15 anos.

 

No caso, especula-se que as razões mais frequentes são a miséria das famílias, a desigualdade social, o desajuste do núcleo familiar e a consequente educação deficitária, com índice elevado de analfabetismo e semianalfabetismo. A saúde também é um “desastre” total, difícil de ser compreendido, porque o sistema público é quase inexistente. Em que pese o cuidado das pessoas em usarem, com frequência, máscaras de proteção contra a poluição e enfermidades respiratórias, dados do Banco Mundial dão conta de que no país inteiro, em 2000 (não encontramos nada mais atual, nem lá, nem aqui no Brasil), o Vietnã, possuía 250.000 leitos hospitalares, ou seja, 14,8 leitos por 10 mil habitantes.

 

Se alguém quer mais um exemplo, eis aí: apesar de não letal, a HFMD (hand, foot and mouth disease – doença de mão, pé e boca) se impõe como grave problema de saúde pública no Vietnã, com registro de mais de 28 mil casos, incluindo 18 óbitos, segundo informações da Cruz Vermelha, ver http://cievsrio. wordpress.com/2012. E a doença é uma síndrome causada por vírus intestinais da família Picornaviridae... As deficiências extremas da saúde justificam o uso maciço e massivo da medicina à base de ervas medicinais. Se a medicina complementar / alternativa / não convencional / fitoterápica / tradicional (nomenclatura que designa as diferentes modalidades da medicina que antecedem a medicina moderna) tem imensurável valor, em pleno século XXI, quando epidemias e doenças variadas se alastram, é preciso que qualquer nação disponha de recursos alopáticos mínimos. E o que dizer da eletricidade e do saneamento, ou seja, das condições mínimas de infraestrutura?

 

Retomando as superstições, há uma série delas que cercam as mulheres grávidas ou recém-paridas. A começar pelo casamento. O dia é escolhido por um “sábio” a pedido dos pais. As mães permanecem em suas casas ao lado da noiva. É “o bruxo” quem determina o dia e o horário. E há mais, o casamento civil representa a união das duas famílias, embora, paradoxalmente, exista o divórcio. As grávidas nem devem ser tocadas nem olhadas e, curiosamente, “adoram” roupas de segunda mão, em especial se vêm de famílias abastadas, haja vista que há a expectativa de que os privilégios alcancem os bebês e, por conseguinte, a futura família. Após o parto, a mãe não pode ser visitada por ninguém durante um mês, por conta da presença de possíveis espíritos do mal. Depois de uma quarentena que soma três meses e 10 dias, o primeiro dos quais sem qualquer banho, porque a única higiene permitida à nova mamãe e ao bebê é a limpeza com azeite de eucalipto, a mulher pode sair de casa. A primeira vez é cercada de temor: se vê alguma boda, má sorte; se vê funeral, boa sorte, porque a morte significa renovação.

 

Ainda no universo da crença exacerbada em presságios, seis e oito são números da sorte em oposição ao famoso número e dia 13, quando nem se começam nem se fecham negociações. O dia 17 é o mais favorável à finalização de transações comerciais. Aliás, os comerciantes vietnamitas acreditam que se o primeiro cliente da jornada sai da loja sem nada comprar, seguramente, naquele dia, ele não fará grandes vendas. Há hábitos que merecem respeito, embora nos pareçam estranhos à primeira vista – os pais escondem “a sete chaves” (dos próprios filhos) as parcas economias para a chegada da velhice.

 

POVO VIETNAMITA: MAIS TRAÇOS CULTURAIS

 

Em conversas aqui e ali, descobrimos que maior parte dos vietnamitas não crê em Deus. No entanto, embora o ateísmo conste de fontes de informação com o elevado percentual de 80%, observamos que, como no restante da Indochina (região do sudeste asiático composta por Vietnã, Laos, Camboja, e, para alguns, Tailândia e Myanmar), há predominância do budismo mahayana, embora a prática não seja corriqueira. Há, ainda, adeptos do taoismo, confucionismo, catolicismo, cristianismo e há quem pratique o animismo, isto é, a adoração de espíritos. Crenças menos difundidas também ganham adeptos, como o protestantismo, o Hoa Hao (fundamentado no budismo, tem sua origem em 1939, na região sul do Vietnã) e o Cao Dai. Esta última, chamada ainda de Caodaísmo, no idioma oficial vietnamita igual à “morada alta” ou à “terceira grande anistia religiosa universal”, data de 1926, também do sul do país.

 

Enquanto nós, brasileiros, aderimos ao calendário europeu gregoriano, instituído pelo Papa Gregório XIII, em 1582, como forma de delimitar o ano civil na maioria das nações, e, assim, facilitar a comunicação entre os povos, os vietnamitas seguem o calendário lunar. Este obedece às fases da lua. Por exemplo, neste ano, o chamado ano novo chinês, sob o signo do cavalo, inicia em 31 de janeiro de 2014 (ano 4.712 do calendário chinês), com a ressalva de que a entrada do ano novo lunar cai sempre entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro. Eis o feriado mais importante da Ásia, conhecido popularmente como Festival da Primavera, que segue até o 14ª dia do primeiro mês do ano lunar, quando começa o Festival da Lanterna. São comemorações em diferentes países, a exemplo do Vietnã e da China. A festa também chega até Malásia, Taiwan, Brunei, Singapura, Indonésia e Filipinas.

 

Em relação às drogas, o Vietnã faz parte do chamado "Triângulo Dourado", localizado na fronteira entre Laos, Birmânia e Tailândia, e que se impõe como um dos líderes mundiais de produção de heroína, aquém apenas do Afeganistão. A droga é obtida a partir da papoula, de onde se extrai o ópio, de cujo processamento origina-se a morfina, passível de ser transformada em heroína. Tão somente 2% da produção de ópio são interceptados pelas autoridades nacionais e / ou internacionais dessas nações. O restante é traficado para diferentes localidades, com destaque para os Estados Unidos da América (EUA) e para o continente europeu, o que dá margem a poderosas redes de traficantes, que patrocinam o cultivo da papoula dentre determinados grupos étnicos.

 

Os gays também são vistos como uma praga, numa marca indelével de nações subdesenvolvidas. Por exemplo, dentre os 30 países e territórios asiáticos, 12 possuem legislação específica que criminaliza a homossexualidade, como Afeganistão, Bangladesh e Brunei, e num deles, Chechênia, a punição chega à pena de morte. No caso do Vietnã, inexiste penalidade legalizada, mas não há proteção contra a discriminação aos homoafetivos e o casamento ou qualquer tipo de união entre pessoas do mesmo sexo está oficialmente banido.

 

Dentre os hábitos culturais de maior dificuldade de assimilação está a alimentação, porque se trata de uma prática que se inicia na infância. De qualquer forma, embora não nos arrisquemos em algumas comidas exóticas, não alimentamos nenhum tabu alimentar. Quando se trata da eterna pergunta: é verdade que os vietnamitas comem cães e gatos? A resposta é sim: eles os utilizam como petiscos, e em maior proporção, os cachorros, mas a exceção fica por conta dos cães negros e amarelos da raça vietnamita. Comem insetos à vontade e serpentes. O morcego frutívoro está em diferentes receitas, como à caçarola (guisado à base de vegetais e batatas) e em variadas sopas, além de lasanha. Dizem que sua carne se assemelha a do frango e possui baixo teor de gordura.

 

Considerado afrodisíaco, tal como o morcego, no Vietnã, um dos pratos mais disputados é o balut, que consiste em ovo de pato fertilizado com o embrião ainda em desenvolvimento, devidamente cozido e servido na casca. Os ratos também não escapam, embora já não tenham o glamour da época sombria de guerras e extrema fome. Para quem sente repulsa diante do fato de que o vietnamense se delicie com receitas à base de sangue coagulado de porco, pato ou ganso, sozinho ou com acompanhamentos variados, é só lembrar nosso chouriço e nosso sarapatel... A degustação de pratos mais cotidianos (pho / sopa de massa de arroz; salada de manga) ou mais exóticos se dá sempre nos lares ou em bares de todos os tipos aonde o karaokê “corre frouxo”. É verdadeira mania nacional! Difere um pouco do dos brasileiros. Não há um grande palco para as “minicelebridades”. São cômodos pequenos e fechados, onde grupos de amigos se reúnem.

 

Além da manga, há ampla variedade de frutas, mas para nós, uma das mais “ilustres” é o rambutão ou rambutã, que se assemelha a lichia, que vem se popularizando no Brasil. Dentre os condimentos usuais nas receitas vietnamitas, estão gengibre, hortelã, coentro, canela, pimenta, limão e manjericão, além do capim-limão.

 

POVO VIETNAMITA: LONGA HISTÓRIA

 

O Vietnã tem uma longa história de guerras e destruições, até porque, já no período paleolítico, escavações arqueológicas denunciam a presença do homem no território vietnamita de hoje. Isto significa que falar da história do Vietnã requer estudos profundos, tempo e rigor. Por conta disso, nos detemos a contar, sem detalhes, o que mais afetou ao seu povo. Estamos nos referindo à Guerra do Vietnã, durante 16 anos, entre 1959 e 1975, referência ao conflito mais sangrento da segunda metade do século passado.

 

Laos, Vietnã e Camboja, integrantes da citada Indochina, estão, à época, subjugados à França. Com a explosão da Segunda Guerra Mundial, a Guerra do Pacífico conduz à invasão japonesa da Indochina Francesa, ano de 1941. Para combater os orientais, os vietnamitas, sob a liderança de Ho Chi Minh, se unem em torno da Liga Revolucionária para a Independência do Vietnã, de tendência nitidamente comunista. Finda a Grande Guerra, é a vez de violentos combates entre franceses (que tentam recuperar as terras conquistadas pelo Japão) e guerrilheiros da Liga para a Independência do Vietnã ou Viet Minh.

 

Em 1954, a Conferência de Genebra reconhece a Independência do Laos, Vietnã e Camboja, mas uma medida totalmente arbitrária, aos nossos olhos de turistas desavisados e com alguma dose de generosidade no coração, legaliza a divisão do Vietnã: Vietnã do Norte, comunista e / ou socialista, governado por Ho Chin Minh; Vietnã do Sul, capitalista e governado por Ngo Dinh-Diem. A priori, tal bifurcação seria válida somente até as eleições visando à reagregação da nação, no ano de 1956. No entanto, os vietnamianos do sul se antecipam. Em 1955, Dinh-Diem comanda um golpe militar e se torna ditador, sob os auspícios dos EUA, temerosos da força da ala comunista. Enviam munição, dinheiro e conselheiros militares, o que contribui para que os sul-vietnamitas ataquem por 10 longos anos os irmãos do norte, não obstante movimentos de oposição, como a Frente Nacional de Libertação e o exército vietcong.

 

Em 1965, os EUA, na presidência de Lyndon B. Johnson, depois do bombardeio a embarcações norte-americanas no Golfo de Tonquim (braço do Mar da China Meridional, e que faz limite com o Vietnã a noroeste, oeste e sudoeste), entram na guerra contra o Vietnã do Norte. Há reação imediata e heroica dos norte-vietnamitas, em especial no que é conhecida até os dias de hoje como a Ofensiva do Tet, ataque em três fases, liderado pelos irmãos do norte contra os do sul e as forças norte-americanas, em 30 de janeiro de 1968. A alcunha da ofensiva se explica por seu início nas primeiras horas da manhã do T?t Nguyên ?án, o primeiro dia do ano no calendário lunar tradicional, como visto antes, o feriado mais importante do país. As lutas continuam sem tréguas com muitas vidas perdidas e desperdiçadas. Em 1972, no governo de Richard M. Nixon, o 37° presidente dos EUA e o único a renunciar à presidência na história do país (mas isto é outro “causo”), há ordem para bombardear a região, inclusive com armas químicas. Por fim, os norte-americanos se retiram em 1973, face à pressão de sua sociedade civil, mas a Guerra do Vietnã só tem fim em 30 de abril de 1975, com milhões de cidadãos mortos das diferentes nacionalidades. As tropas nortistas avançam sobre Saigon e a rebatizam como Ho Chi Minh, homenagem ao líder revolucionário, morto em 1969.

 

 

Hoje, surpreendentemente, um lugar imperdível na visita ao Vietnã é Ku Chi, a famosa rede de túneis utilizada pelos vietcongues ao longo da Guerra do Vietnã. Há a chance de vislumbrar como os combates ocorriam. As armadilhas terrestres. As passagens subterrâneas. Local marcado por mil tragédias nos impõe reflexão profunda acerca da brevidade da vida. Ainda nos dias atuais vagueiam pelos campos ou pelas ruas das cidades jovens e adultos com deformações por conta dos produtos químicos de guerra, com ênfase para o napalm, mistura de líquidos inflamáveis à base de gasolina gelificada, bastante usada na indústria bélica.

 

POVO VIETNAMITA: CIDADES E ATRAÇÕES

 

Quem chega à capital Hanói, num primeiro impulso, sente vontade imensa de se refugiar num lugar qualquer, distante do burburinho das ruas lotadas e do trânsito caótico. Mas há muitas atrações que valem o sacrifício de atravessar as ruas na condição de pedestre. É barra pesada! No entanto, a apenas 165 km da capital, na província de Quàng Ninh, está um dos lugares mais visitados da Ásia e, talvez, o mais concorrido no país. Estamos falando da baía de águas cristalinas, Halong Bay (literalmente, “baía onde desceu o dragão”), Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), por conta de sua beleza. São mais de três mil ilhas cercadas de arenito e depositadas em águas cor de esmeralda. Algumas das ilhotas possuem grutas e / ou cavernas com formações rochosas e estalagmites, lagoas e praias desertas. Como quaisquer turistas que seguem “esquadrinhados” por agências de turismo, seguimos para explorar as belezas locais num cruzeiro que não partiu. O mau tempo não permitiu. Diante da frustração, nos restaram os postais, algumas fotos a distância, e alguns poucos e parcos passeios.

 

 

Mas há muitas atrações em Hanói. Enchem nossos olhos a beleza do Mausoléu Ho Chi Minh, o grande herói vietnamita até hoje reverenciado; o Pagode de um Só Pilar (século XII); o Lago Hoam Kiem; e o Templo Ngoc Son. O que dizer da cidade antiga de Hoi An, séculos XV a XIX, também declarada Patrimônio Mundial? O mesmo tratamento foi dispensado pela UNESCO à Cidade Imperial de Hue, fortaleza murada situada na antiga capital do país, planejada como réplica da famosa “Cidade Proibida” dos imperadores chineses em Pequim, embora, hoje, se encontre bastante destruída por conta da Guerra do Vietnã. A divisão administrativa do Vietnã comporta 63 províncias e cinco cidades com estatuto de província do país – Hanói, Ho Chi Minh, Haiphong, Can Tho e Da Nang. Aqui, destaque para a última, em sua condição de maior porto do país e importante cidade industrial.

 

No caso de Ho Chi Minh (antiga Saigon), também há muito a ver. É o caso do Palácio Presidencial transformado em Palácio da Reunificação; o Templo de Thien Hau, construído no século XIX em homenagem à Deusa do Mar; a Catedral de Notre Dame, obra dos franceses em 1863, cujas torres de sino com 58 metros de altura emocionam a qualquer um.

 

POVO VIETNAMITA: ESPERANÇA NO CORAÇÃO

 

No Vietnã, o salário mínimo gira em torno de 300 dólares ao mês, mas, para surpresa de todos, em se tratando de empregados do governo, são apenas 120 dólares. Acrescentamos que a moeda oficial segue esta correspondência: um dólar americano é igual a 21.085 dong (VND). E mais, 4% da população do Vietnã estão categorizados no quadro de pobreza extrema. Como resultado, as famílias que recebem até 30 dólares mensais contam com a ajuda do governo, mas são dados de difícil obtenção e checagem, tal como se dá com o alto índice de desemprego – ninguém sabe. Ninguém viu...

 

Por fim, é preciso lembrar que por mais bravio que seja um povo, não há quem resista a viver em condições de vida tão desiguais, ainda que existam lados luminosos. A tecnologia já está por lá. Por exemplo, é surpreendente a penetração da internet e a um valor razoável para os padrões locais – oito dólares ao mês. Também há muita beleza na cultura desenvolvida pelos vietnamenses. Ao tempo em que as etnias primam por seus próprios hábitos, em termos gerais, na música, o destaque vai para os belos instrumentos típicos, como o violino monocórdico e a cítara vietnamita. Os trajes típicos são de rara beleza. O mais comum é o áo dài que se assemelha à vestimenta de gala das mulheres dos países vizinhos: vestido de seda, corte apertado, jogado por sobre calças largas e confortáveis.

 

Lembramos, ainda, o teatro de marionetes na água ou as rois nuoc, show que se apresenta em Hanói. Sua origem remonta há mais de mil anos no delta do rio Vermelho. No início, apresentado nos vilarejos, hoje, é oferecido aos turistas em teatros sem muita sofisticação, mas com conforto. Frente à audiência, que inclui pessoas de qualquer idade, gigantesco tanque repleto d’ água desperta curiosidade. Fantoches movidos por “bonequeiros” ocultos atrás do grande palco e com água até a cintura escondem são lembranças que ficam! São lembranças que nos mostram que a esperança sempre existe nos corações dos povos, sejam eles asiáticos ou brasileiros!

 

 

 

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