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O festival do comidas nas ruas de Paris e outras cidades da França.

Novas e criativas receitas de Bacalhau, por grandes chefs brasileiros.

Uma homenagem à caiprinha: Sidney Simões conta a história do drinque brasileiro.

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Um roteiro da cidade de Campina Grande, por José Nêumanne.

Pratos excêntricos e exóticos, por Caio Mourão.

Um roteiro da cidade de Natal, por Nei Leandro de Castro.

Para ver antes do almoço:
a cozinha tradicional paraibana.
(um segundinho até carregar).

Atlanta, da Guerra Civil
à Coca Cola,
por Lea Maria Aarão Reis.

Léa Maria volta de
Buenos Aires
e conta o que viu lá.

Cahors, no coração da França.
Por Celso Japiassu.

Um olhar sobre a Galícia.

Caio Mourão ensina a fazer um
exótico Risoto de Morangos.

Nei Leandro de Castro confessa
seu amor por Florença e traça o roteiro sentimental de Lisboa.

Dê uma olhada em alguns pratos de restaurantes europeus.


Vale a pena ver como se faz
um leitão.

50 Sonetos de Forno e Fogão:
apresentação,
introdução
,
receitas em a-b-c,
d-e-f
,
j-l-m,
p-r-s-t-v-x
.

Mestre Eça de Queiroz mostra
como se comia na Grécia
e na Roma antigas.

Baia de Halong

 

Diário do Vietnam

 

Daniel Japiassu

Primeiro dia: Ho Chi Minh
Pecados de Guerra

Passeando pelo centro de Saigon (aliás, Cidade de Ho Chi Minh), deparei com todo tipo de mascate: quem tem uma relíquia da guerra tenta vendê-la pelo melhor preço. Os chapéus da época do líder Ho Chi Minh estão pela hora da morte (300 mil dongs, algo como US$ 20); mais vale comprar uma imitação (US$ 3), na loja dos túneis Cu Chi, sobre os quais falarei um pouco mais adiante. Já os estilhaços de bombas americanas são uma pechincha: de US$ 1 a US$ 2. Andando um pouco mais é possível encontrar verdadeiras obras de arte confeccionadas com pedaços de morteiros e granadas. Mas aí é preciso botar a mão no bolso: cada peça sai por cerca de US$ 10.

As marcas do conflito (um dos mais sanguinários da história recente deste maltratado planeta) estão mesmo em toda a parte. O vietnamita se orgulha de seu país, se orgulha de ter posto os yankees para correr, numa época em que o mundo ocidental tinha sua meca na cidade de Nova York - hoje mudaram a meca para Miami.

 

O Museu Histórico de Saigon é um dos melhores exemplos disso. Lá, o visitante pode conhecer o outro lado de uma história que parece tão familiar. Destaque para o salão Verdades da Guerra, onde estão expostas fotos dos horrores vividos pelo povo vietnamita e dos herdeiros da absurda guerra tóxica imposta pelos Estados Unidos. Os efeitos do agente laranja, por exemplo, sobre as crianças nascidas a partir de 1975 são revoltantes. Há todo tipo de aberração, desde meninos sem braços nem pernas até fetos de bebês sem cérebro e mulheres com a chamada "pele de urso", malformação que empresta um aspecto absolutamente desumano à derme.

 

Enquanto enveredava pelos corredores do museu, segui (involuntariamente) um casal de americanos - típicos, diga-se. Ela, uma loura de olhos azuis visivelmente acima do peso, tinha a fisionomia tensa, o rosto lívido do mais genuíno pânico; ele, um ex-fuzileiro (a julgar pela tatuagem azul e verde no antebraço, com o símbolo da marinha americana), respondia a cada esgar de espanto da mulher com um muxoxo incompreensível. Senti-me satisfeito por perceber que a exposição cumpria seu papel, o de chocar o desavisado turista. Além disso, onde - a não ser em Saigon, mais célebre palco da guerra - teríamos a oportunidade de conhecer a visão do vencedor?

 

O Inimigo Invisível (Os Túneis Cu Chi)


Quando começava a chover, os pelotões norte-americanos paravam a caminhada na densa selva vietnamita e aguardavam por uma rápida estiagem. Quando o chão ficava muito úmido, o combate se tornava ainda mais perigoso. Era comum grupos inteiros de fuzileiros desaparecerem em poucos segundos, vítimas de armadilhas de caça ou dos vietcongs escondidos sob seus pés.

Utilizados pela primeira vez durante a guerra contra os franceses, nos idos dos anos 50, os túneis Cu Chi são uma esplêndida obra de engenharia. Formados por três andares subterrâneos, com a infra-estrutura básica para manter os soldados protegidos das intempéries e do inimigo, os túneis eram o inimigo invisível que levava os norte-americanos à loucura.

 

São mais de 40 quilômetros de passagens escavadas a até oito metros do solo, cujas entradas ficam nos locais menos esperados. Esta verdadeira cidade secreta é um dos grandes pontos turísticos de Saigon e um dos momentos em que é possível voltar no tempo e viver um pouco daqueles dias tumultuados.

 

Vila flutuante próxima ao delta do Mekong

 

Segundo dia: Ho Chi Minh
Um Rio Chamado Vietnã (O Mekong)


Minha guia, Nguyen, é uma moça divertidíssima. E parece mesmo fã de seu trabalho. Pegamos o barco a motor e subimos o rio Mekong, onipresente enquanto o visitante se deslocar pelo Vietnã. Pode-se dizer que o império vietnamita de séculos só foi possível graças a esse curso d'água. E que a reconstrução do país passará por suas margens, sem sombra de dúvida.

 

Enquanto tento tirar algumas fotos, Nguyen me mostra o trabalho artesão das ribeirinhas. São vasos, panelas, potes e outros itens de decoração confeccionados com o barro fértil que se deposita nas encostas do Mekong quando ele sobe no período das grandes tempestades e enchentes.

 

Aproveite, pois aqui seus dólares valem ouro. Ou mais!

Enquanto as mulheres moldam aquela lama ancestral, os homens e as crianças montam as redes de pesca e as armadilhas para peixes maiores, todas de bambu - um trabalho que requer paciência (tipicamente oriental) e atenção. A isca? Carne de coco.

 

Aproveito a parada para conversar em um inglês macarrônico com alguns moradores locais. Acabo tentando mesclar o mau inglês com o péssimo francês. Com a boa vontade característica dos povos esquecidos das margens do Mekong, eles me entendem. E querem saber se Ronaldinho voltará a jogar assim que descobrem que o visitante é brasileiro. Infelizmente, sou obrigado a frustrá-los.

 

O almoço é um espetáculo de fartura e extravagância - que vale cada saboroso suspiro: peixe-elefante e sopa de arroz com cogumelos (que não me renderam o efeito desejado). Para acompanhar, aguardente de cobra. A sobremesa é um mix de frutas locais, dentre as quais uma que eles chamam de pêra vermelha. Não, não, leitor! Não se trata daquelas que se podem encontrar no Brasil nas melhores casas do ramo. É uma fruta estranhíssima, cuja polpa é arenosa e o gosto lembra um pouco o pêssego e muito a nêspera.

 

Cerca de 15 mil pessoas vivem nas vilas ribeirinhas do Mekong, rio que chega a ter dois quilômetros de margem a margem nos pontos mais largos. Vivem da pesca e, atualmente, do turismo - já que alemães e outros povos branquelos não podem ver um camarão...

 

Terceiro Dia: Da Nang-Hoi An
A Montanha de Mármore


Meu guia é o sr. Trin, um ex-professor primário que agora empresta sua sabedoria ao esforço governamental para alavancar o turismo na região. Falar sobre China Beach, local onde os americanos passavam suas folgas durante a guerra do Vietnã, é um dos talentos do veterano mestre. É mesmo um local paradisíaco, cuja praia tem uma areia muito parecida com a brasileira (não é cascalhosa, como a maioria delas).

 

Mas o sr. Trim prefere discorrer sobre o que ele considera o mais importante templo religioso de Hoi An: a Montanha de Mármore. A escadaria antiga (do tempo da colonização francesa) que leva ao topo, onde fica o antigo templo budista, propicia paradas regulares para observar a bela e amena cidade de 700 mil habitantes.

 

No alto da rocha está escondido um monumento religioso de tirar o fôlego. Totalmente esculpidas na pedra, as salas e ante-salas do templo estão repletas de imagens santas. É mesmo impressionante o trabalho realizado pelos artesãos com o mármore, que brota em todo lugar. No salão central da montanha, uma estalactite pinga eternamente em um vaso antigo uma água cristalina, que o povo acredita sagrada.

 

Aproveite a cidade para experimentar as especialidades culinárias da região, baseadas nos frutos do mar. E dê um passeio pelo centro comercial, onde é possível encontrar todo tipo de vestimenta típica, fabricadas in loco pelas costureiras da cidade, as mais hábeis de todo o Vietnã.

 

Aproveitei o início de uma garoa fina para visitar uma casa tipicamente vietnamita, do início do século, toda em nogueira e outras madeiras finas. Depois, a ponte chinesa, com a estátua do macaco e do cachorro, simbolizando os anos de início e finalização da construção. Hoi An parece perdida no tempo. Depois do caos de Saigon, nenhum cenário poderia ser melhor!

 

Hoi An, o Rio Perfumado

 

Quarto dia: Hoi An-Hue (de carro)
Conhecendo o Hotel


Espetacular seria uma ofensa ao prédio do hotel Huong Giang, onde me instalei, às margens do Rio Perfumado. Só que chovia uma barbaridade - coisa para deixar os ribeirinhos do Amazonas de queixo caído. Foram 24 horas de temporal ininterrupto (mesmo, não é força de expressão), que começou ainda em Hoi An e só foi parar (ou melhor, amenizar) na noite desta quinta-feira.

 

Na metade da tarde, os turistas começaram a temer pela sorte de seus pertences, pois o rio subia quase dez centímetros por hora e já ameaçava invadir o lobby. O sr. Trin me acalmou: "Estamos no fim do período das chuvas. Deve parar daqui a pouco. Na época das tormentas, é comum chover assim por até sete dias seguidos". Fiquei besta de ver tanta calma.

 

Quinto dia: Hue
A Cidade Sagrada


Hue foi capital do Vietnã até 1949, quando os comunistas tomaram o poder e o imperador teve de se mudar para a França. O mausoléu deste último imperador (13o da linhagem) levou três anos para ser erguido (de 1944 a 1947) e utilizou mão-de-obra de 3 mil homens, entre soldados e trabalhadores rurais. O monarca era baixinho (pouco mais de um metro e meio de altura) e fazia questão que tudo à sua volta fosse mais baixo que ele. As estátuas dos mandarins têm 1m20; as dos cavalos reais, cerca de 1m40, ou seja, são pôneis; e até os elefantes não ultrapassam 1m70, o máximo que o imperador se permitia olhar para cima.

 

No interior do palácio, o destaque é o teatro real, o primeiro do Vietnã. Os atores ficavam no meio do salão (todo em vermelho e amarelo) e encenavam a peça para o rei e sua concubina. Uma cortina de bambu permitia que o monarca visse os artistas, mas impedia que estes o vissem.

 

Mas quem sabia mesmo o que fazia era o pai do imperador, cujo mausoléu levou 11 anos para ser concluído (de 1920 a 1931) e foi erguido por cerca de 10 mil trabalhadores e soldados. O monarca era um amante da arquitetura e desenhou todo o lugar. O palácio é inteiramente ornamentado com pedaços de porcelana chinesa e multicolorido. No salão do meio, uma estátua do imperador, em bronze e ouro, faísca ao primeiro olhar. O monarca tinha dezenas de concubinas, que geraram 146 filhos. Para melhorar a posição na corte, alguns mandarins ofereciam suas filhas ao imperador em troca de poder.

 

A Cidade Proibida, em Hue

 

Sexto dia: Hue
O Rio Perfumado


Estou próximo da Cidade Proibida Púrpura, que, ironicamente, não tem um sinal sequer da tão pomposa coloração. Púrpura era, isso sim, a cor do brasão da família real, daí o nome.

 

Mesmo assim, o visitante não encontrará vestígios de púrpura por onde quer que vá. Na cidadela do imperador os únicos vestígios que sobrevivem ao tempo são os da guerra com os franceses. A cidade foi destruída e, agora, graças a investimentos do governo vietnamita e de entidades ligadas à ONU, está sendo reconstruída, à semelhança de sua época dourada.

 

Enquanto se caminha pelo palácio recentemente reinaugurado, pode-se sentir o aroma do Rio Perfumado, que corta a cidade de Hue. Este, sim, faz jus ao nome. Explica-se: na nascente existe uma planta cujos frutos, de aroma agradabilíssimo que lembra as tâmaras maduras, caem sistematicamente nas águas que se transformarão no rio. Assim, ele chega perfumado a Hue.

 

Sétimo dia: Hue-Hanoi-Baía de Halong
Dragões de Pedra


Hanoi, a verdadeira capital do Vietnã (embora muita gente insista em creditar o título a Saigon), é uma cidade belíssima. Mantém certo encanto da época de dominação francesa - destaque para os prédios do French Quarter e da Opera House, uma maravilha arquitetônica de encher os olhos - sem perder de vista sua história milenar, estampada em cada parede dos templos espalhados pelas ruas e avenidas centrais.

 

Peguei o trem com meu guia Sunny. O nome original é impronunciável, caro leitor, mas o rapaz, que não tira os óculos escuros, prefere ser chamado assim. Coisas do capitalismo que já grassa em diversos pontos da Indochina.

 

A viagem, de aproximadamente uma hora, é instigante e me levará até o porto onde tomarei um barco cujo destino é a Baía de Halong, no sul do Mar da China. O comboio antigo é outra parada no tempo, principalmente porque estou cercado por personagens que mereceriam tratamento literário de melhor qualidade. São pescadores e suas redes de bambu trançado, agricultores com seus chapéus cônicos e alcatruzes cheios de arroz, mercadores de ervas e de líquidos milagrosos.

 

A Baía de Halong, cujas histórias e lendas me fascinam desde a mais tenra adolescência (tenho um amigo que se embrenhou pelas águas do Mar da China e me garantiu que nenhuma emoção poderia ser maior do que atravessar o caminho dos dragões de pedra), já está à minha frente.

 

O tempo está a nosso favor. Eu e Sunny trocamos informações acerca de nossos países enquanto o barco vence as ondas bravias e se aproxima dos paredões de rocha. Meu amigo estava certo. De longe, a paisagem lembra mesmo dragões emergindo das águas.

Nossa parada é na cidadezinha de Cat Ba, encravada em uma das milhares de ilhotas que compõem aquele universo único. Na praia, devidamente calibrados pela aguardente local, um grupo de russos tenta convencer o garçom de um restaurante à beira-mar de que ele pode aceitar um punhado de rublos como pagamento. Mas o garçom se limita a sorrir, fingindo total ignorância sobre o idioma dos estrangeiros.

 

A noite é regada a aguardente de arroz, trazida à nossa mesa por "moças de bom coração", como diz Sunny. O jantar será no barco: caranguejos, camarões, rolinhos primavera e muito vinho francês. Legítimo!

 

O túmulo de Ho Chi Minh em Hanoi

 

Oitavo dia: Baía de Halong-Hanoi
Despedindo-se do paraíso


Sunny bate à porta do quarto às 7h30. Diz que o dia está ótimo para boas fotos. O fotógrafo não pode dizer o mesmo sobre si mesmo, é bem verdade, mas não há sensação de cansaço que resista à vista da baía aos primeiros raios de sol.

 

Os pescadores já estão na lida desde muito cedo e a profusão de cores dos cascos dos barcos é um festival para as lentes dos turistas. Os dragões de pedra estão mais calmos nesta manhã quente. As águas, que se tornam mais perigosas quanto mais nos embrenhamos rumo à costa vietnamita, balançam suavemente e é possível ouvir o murmúrio que vem da vila flutuante ancorada junto ao porto de Cat Ba.

 

Lá vende-se de tudo, desde o mais óbvio biscoito de arroz até peças ornamentais confeccionadas com pérolas negras (colhidas nas encostas de pedras das ilhas próximas), uma maravilha que custa pouco neste ponto do mapa. Aproveito o ensejo, tomo mais um aguardente - oferecido por meu guia ensolarado - e partimos de volta para Hanoi.

 

Na capital, você terá ainda algumas horas para um rápido passeio pelo centro. Não perca tempo, portanto, e vá direto para o templo de Ngoc Son, erguido no século 14. De lá, siga para o túmulo de Ho Chi Minh (ele fica em Hanoi e não em Ho Chi Minh, como seria de se esperar) e para a casa do antigo líder, de uma singeleza que beira o franciscano, mas prenhe de significados.

Se sobrarem tempo e pernas, passe pelo Palácio Presidencial (cuja entrada não é permitida, infelizmente), um prédio belíssimo construído pelos franceses em 1906 e cuja ostentação Ho Chi Minh odiava.

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