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Cuba: os paradoxos da Revolução. Maria das Graças Targino.

Charmes de Tiradentes. Léa Maria Aarão Reis

O último dia do ano em Fiesole. Celso Japiassu.

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A viagem continua: os diários do Laos e do Cambodja. Daniel Japiassu.

Saigon, cidade aberta. Por Daniel Japiassu.

As Primeiras Pizzas do Rio. Léa Maria Aarão Reis.

O festival do comidas nas ruas de Paris e outras cidades da França.

Novas e criativas receitas de Bacalhau, por grandes chefs brasileiros.

Uma homenagem à caiprinha: Sidney Simões conta a história do drinque brasileiro.

O pícaro A. Falcão apresenta suas receitas de conquistar mulheres.

Um roteiro da cidade de Campina Grande, por José Nêumanne.

Pratos excêntricos e exóticos, por Caio Mourão.

Um roteiro da cidade de Natal, por Nei Leandro de Castro.

Para ver antes do almoço:
a cozinha tradicional paraibana.
(um segundinho até carregar).

Atlanta, da Guerra Civil
à Coca Cola,
por Lea Maria Aarão Reis.

Léa Maria volta de
Buenos Aires
e conta o que viu lá.

Cahors, no coração da França.
Por Celso Japiassu.

Um olhar sobre a Galícia.

Caio Mourão ensina a fazer um
exótico Risoto de Morangos.

Nei Leandro de Castro confessa
seu amor por Florença e traça o roteiro sentimental de Lisboa.

Dê uma olhada em alguns pratos de restaurantes europeus.


Vale a pena ver como se faz
um leitão.

50 Sonetos de Forno e Fogão:
apresentação,
introdução
,
receitas em a-b-c,
d-e-f
,
j-l-m,
p-r-s-t-v-x
.

Mestre Eça de Queiroz mostra
como se comia na Grécia
e na Roma antigas.


 

Reencontrando o encantamento

 

Humberto Mendes*

Após vários dias de exaustivo e intenso trabalho em Salvador (BA ), antes de voltar para São Paulo, minha paulicéia desvairada, resolvi dar uma passada por um lugarejo chamado Praia de Subaúma, que me recuso a dar a localização e também não digo como chegar lá, por puro egoísmo e medo de que alguns "civilizados" descubram, vão até lá e, destruam aquilo tudo, como ja estão fazendo com Fernando de Noronha e outros santuários

Subaúma é um lugar onde vivi algum tempo, logo após a morte do meu pai, há 62 anos passados e de onde saí para mudar para São Paulo. Nunca mais voltei lá, pelo que me recuso a me perdoar.

 

Era um lugar muito pequeno, tipo vila de pescadores. Isso foi em meados dos anos quarenta. A vilazinha  tinha apenas algumas poucas ruas, um largo que era só areia, branquinha e muito quente, a igreja, uma escolinha rural e um povo doce, alegre, puro de sentimentos e altamente criativo. Não havia na Subaúma, uma única pessoa que não dançasse, que não cantasse e até compor músicas, muita gente compunha, a partir de qualquer motivo ou novidade que aparecesse.

 

Explicar tanta cultura e musicalidade é difícil, pois referências como o rádio, por exemplo, ainda não haviam chegado por ali. 

 

Por influência da igreja que nem padre tinha, cantava-se em latim, peças  sacras como  "agnus Dei qui tollis pecata “mundo”, (era mundo mesmo, a pronúncia. Onde já se viu? Mundo é mundo ora, né mundi, não). Santa Maria, "mater Dei, ora pro nóbis pecatóribus..." e também se encenavam peças maravilhosas: dramas e autos, os mais diversos, como Chegança, Náu catarineta, Samba de roda, auto dos Santos Reis , Bumba meu Boi e muito mais. A influência dos portugueses e negros foi muito forte no coração daquele povo bom. A maior parte da população era e continua sendo formada por negros e seus descendentes.

Aposto que aí está a razão de tanta docilidade.  

 

Ali, todo mundo,  se conhecia, se amava, se respeitava e na época de Santo Antonio, São Pedro e São João, celebravam-se, no calor das fogueiras, um parentesco e amizade para durar até a morte. Muitos se transformavam em  compadres, comadres, afilhados, sobrinhos... era minha tia pra lá, meu tio pra cá, aquilo selava um compromisso levado tão a sério, que nem os anos acabariam.

 

Voltei lá, agora, 60 anos depois, morrendo de preocupação que a modernidade tivesse destruído todo o encantamento  daquele lugar e daquela gente simples, boa e extremamente feliz...   

 

A modernidade da televisão, algumas poucas pousadas, alguns telefones celulares, internet, tudo isso já chegou por lá,  sim, e não conseguiu estragar, não. Conversei com muita gente velha, muito mais velha que eu, gente que conheceu meu pai, minha mãe, fui chamado de “esse menino,” pedi a benção para muitos os velhinhos, pois é de bom tom que se mantenha o respeito que seus cabelos brancos conquistaram.Toda aquela população me recebeu com muito amor e carinho, coisas com as quais não estou acostumado na cidade imensa  em que vivo, mas foi tanto carinho, que até agora estou pasmado e, quase não consigo acreditar que tivesse acontecido comigo, uma vez que nada fiz para merecer tanto...

 

Me hospedei numa pequena pousada na praça e quase apanhei de alguns, por tamanha falta de respeito  e tive que justificar para muitos, o porque de não ir para suas casas, mas não escapei de almoçar na casa de fulano, tomar café da manhã na casa de sicrano e jantar em casa de beltrano. Tivesse ficado mais dias, com certeza não repetiria uma única daquelas casas. Um de meus primos “arretou-se” comigo pela falta de consideração e me fez prometer que na próxima vez ficarei em sua casa, pois do contrário, não me perdoará.

 

Mas como nesta vida nem tudo é perfeito, é possível encontrar, sim, algumas distorções causadas essencialmente pela influência dos maus costumes de nossa época, da nossa civilização, mas que ,mesmo assim, não foram  suficientes para destruir o encantamento que guardei na mente e no coração, durante todos esses longos sessenta anos vivendo tão longe da velha e boa  Subaúma.

 

Chorei de felicidade, quando uma senhora me cantou um trecho de uma chula que minha velha mãe cantava para a sua grande prole:

 

"se eu soubesse que tu vinha,

eu faria um dia maior,

dava um nó na fita verde,

prendia um raio de sol

pra meu bem,  meu bem,

quando nos veremos mais?..."

 

Se vou voltar lá? Claro que vou.

 

*publicitário

 

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