Sevilha no coração. Por Maria das Graças Targino.

Museu Guggenheim: a arte da vida. Por Maria das Graças Targino.

Europa Século 21 (IV): Retorno à sempre bela Praga. Por Léa Maria Aarão Reis.

Europa Século 21 (III): Sombras do passado em Berlim. Por Léa Maria Aarão Reis.

Europa Século 21(II): Berlim, cidade palimpsesto. Por Léa Maria Aarão Reis.

Europa Século 21 (I). Paris, o império dos velhos. Por Léa Maria Aerão Reis.

Mostar, uma tragédiar: escombros e turismo. Por Maria das Graças Targino.

Buenos Aires - Decadência e Globalização. Por Léa Maria Aarão Reis.

Sorvete de Lúcuma em Lima. Por Léa Maria Aerão Reis.

Russia: muita beleza, varias surpresas. Por Maria das Graças Targino.

Você não come o que gosta; gosta do que come.

Maiorca, de história, beleza e prazer.

Reencontrando o encantamento. Por Humberto Mendes.

Omundo encantado do viajante. Por Maria das Graças Targino.

Paris: do visível ao invisível. Por Maria das Graças Targino.

As quatro estações e uma tragédia.

Passagem para o Vietnã (II). Por Léa Maria Aarão Reis .

Passagem para o Vietnã (I). Por Léa Maria Aarão Reis.

Affonso Romano de Sant'Anna e o Egito: Um Obelisco Inacabado.

Simplesmente Marraquech. Por Maria das Graças Targino.

Arte em construção. Por Maria das Graças Targino.

Espanha: amor à primeira vista? Por Maria das Graças Targino.

Nepal: exotismo e tragédia.

Índia: mundo à parte para deleite ou horror.

Bar é coisa séria. Por Paulo Maldonado.

Alturas de Machu Picchu. Por Clemente Rosas.

Pequeno guia pessoal dos botequins cariocas. Por Celso Japiassu.

A arte de viajar: o ver e o olhar do viajante. Por Débora Menezes.

O Ano Cortázar em Buenos Aires, por Léa Maria Aarão Reis.

Buenos Aires Revisitada, por Nei Leandro de Castro.

Informe de Buenos Aires, de Celso Japiassu.

Chile, 30 anos depois. Por Léa Maria A. Reis.

A indizivel arte de saborear charuto, por Paulo Maldonado.

Moacir Japiassu dá a receita de um prato com rolas acidentadas.

Cuba: os paradoxos da Revolução. Maria das Graças Targino.

Charmes de Tiradentes. Léa Maria Aarão Reis

O último dia do ano em Fiesole. Celso Japiassu.

O Diário do Vietnam, de Daniel Japiassu.

A viagem continua: os diários do Laos e do Cambodja. Daniel Japiassu.

Saigon, cidade aberta. Por Daniel Japiassu.

As Primeiras Pizzas do Rio. Léa Maria Aarão Reis.

O festival do comidas nas ruas de Paris e outras cidades da França.

Novas e criativas receitas de Bacalhau, por grandes chefs brasileiros.

Uma homenagem à caiprinha: Sidney Simões conta a história do drinque brasileiro.

O pícaro A. Falcão apresenta suas receitas de conquistar mulheres.

Um roteiro da cidade de Campina Grande, por José Nêumanne.

Pratos excêntricos e exóticos, por Caio Mourão.

Um roteiro da cidade de Natal, por Nei Leandro de Castro.

Para ver antes do almoço:
a cozinha tradicional paraibana.
(um segundinho até carregar).

Atlanta, da Guerra Civil
à Coca Cola,
por Lea Maria Aarão Reis.

Léa Maria volta de
Buenos Aires
e conta o que viu lá.

Cahors, no coração da França.
Por Celso Japiassu.

Um olhar sobre a Galícia.

Caio Mourão ensina a fazer um
exótico Risoto de Morangos.

Nei Leandro de Castro confessa
seu amor por Florença e traça o roteiro sentimental de Lisboa.

Dê uma olhada em alguns pratos de restaurantes europeus.


Vale a pena ver como se faz
um leitão.

50 Sonetos de Forno e Fogão:
apresentação,
introdução
,
receitas em a-b-c,
d-e-f
,
j-l-m,
p-r-s-t-v-x
.

Mestre Eça de Queiroz mostra
como se comia na Grécia
e na Roma antigas.


ARTE EM CONSTRUÇÃO

 

Maria das Graças Targino*

                                                                                            

Há concepções distintas em torno do termo arte. Há formas distintas de se visualizar e de se sentir a arte. O Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, por meio das obras de artistas catalães, espanhóis e de diferentes outros países da Europa e de outras partes do mundo, evidencia a variação que marca a criação artística da contemporaneidade. Arte, como construção em permanente evolução.

 

Ao lado da escultura, da pintura, da gravura, da colagem e do desenho, a fotografia, o cinema, o vídeo, a arte sonora ou os jogos se mesclam, reunindo atividades mil que supõem a criação de sensações ou de estados de espírito de caráter estético, impregnados de vivência pessoal, e, quiçá, capazes de suscitar no público o desejo de prolongamento ou renovação. Há, inclusive, a oportunidade de o visitante ler sobre alguns dos artistas que se fazem presentes ou sobre exposições pontuais. É o museu interativo. É o museu numa visão dinâmica e inusitada, e, por isto, surpreendente e assustador. Num prédio gigantesco e moderno, de 1995, obra do arquiteto americano Richard Méier, o MACBA, responsável em grande parte pela revitalização do famoso bairro El Raval da capital de Catalunha, reúne, o ano todo, acervo gigantesco, em exposições permanentes e temporárias.

 

Algumas cadeiras – aquelas bem comuns, de ferro, encontrados em bares e botequins –, são acorrentadas ao chão. Eis uma peça de arte. Noutro espaço, do teto imensamente alto, pende um aparelho de TV preso por correntes. Na tela, uma única imagem: duas pernas masculinas, cabeludas, esteticamente duvidosas, se balançam o tempo todo, em movimento sincrônico. Eis uma peça de arte. Numa mesa qualquer, um aparelho telefônico “normalzinho” , igual àquele que vimos ou que tivemos, num dia longínquo. Forma-se fila diante dele, graças à possibilidade de escutar o que se passa. Nada: somente um diálogo trivial, em voz monótona e corriqueira, entre duas pessoas. Eis mais uma peça de arte, desta vez, brincando com a curiosidade humana.

 

Há outras formas de interação. O silêncio quase denso entre estranhos numa fila ainda maior só é cortado pela voz de uma brasileira que diz à outra: “deve ser bom! Tem fila!” Diante de uma porta fechada e controlada, forma-se fila ainda maior. Afinal, trata-se de domingo com entrada liberada. Os que esperam não disfarçam a ansiedade. Os que saem nada dizem. Dentro, ambiente caótico e inimaginável: penumbra, música de fundo, caixas grandes de mudança, roupas masculinas e femininas em cabides para lá de mal-tratados, cadeiras, bancos, livros, discos, pratos com possíveis sobras, lupas etc. Um par de alto-falantes gigantescos permite a quem sentar entre eles escutar conversa entre casal de enamorados, em voz apaixonada. Eis o quarto caótico: eis uma peça de arte.

 

Mais adiante, outros esperam para entrar num salão, sabendo de antemão que só é permitido o ingresso um a um, após exatamente quatro minutos e trinta segundos. O detalhe é mais uma forma de gerar suspense. No interior, cadeira de encosto alto e voz sussurrante convida a sentar. Ópera particular e maravilhosa tem início. Eis nova peça de arte. E há mais possibilidade. O espaço, desta vez, permite pequenos grupos. Em volta de balcão de madeira, imitando linda varanda, as pessoas parecem se deliciar com mais uma ópera, cujo som “finge” sair de uma velha “vitrola” , ao redor da qual há cadeiras de balanço, jarros, discos de vinil e muito mais. Eis mais uma peça de arte, que imita década antiga, anos 60 ou qualquer coisa assim...

 

 

Há mais, muito mais. Vale lembrar, ainda, duas ou três camas de solteiro emaranhadas e suspensas do teto, com colchões e mantas pendentes... De fato, o MACBA desmistifica quaisquer conceitos rígidos das artes plásticas. É a fusão do concretismo, do abstracionismo, da arte cibernética, da arte cinética, da arte conceitual e / ou da arte de vanguarda. É o museu como instituição que não somente conserva, mas estuda e valoriza as formas diversificadas de quem é capaz de criar, seja lá o que for, num mundo de tantas multiplicidades culturais como o nosso...

 

* Maria das Graças TARGINO, jornalista e doutora em ciência da informação.