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Você não come o que gosta; gosta do que come.

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Pequeno guia pessoal dos botequins cariocas. Por Celso Japiassu.

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Informe de Buenos Aires, de Celso Japiassu.

Chile, 30 anos depois. Por Léa Maria A. Reis.

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Moacir Japiassu dá a receita de um prato com rolas acidentadas.

Cuba: os paradoxos da Revolução. Maria das Graças Targino.

Charmes de Tiradentes. Léa Maria Aarão Reis

O último dia do ano em Fiesole. Celso Japiassu.

O Diário do Vietnam, de Daniel Japiassu.

A viagem continua: os diários do Laos e do Cambodja. Daniel Japiassu.

Saigon, cidade aberta. Por Daniel Japiassu.

As Primeiras Pizzas do Rio. Léa Maria Aarão Reis.

O festival do comidas nas ruas de Paris e outras cidades da França.

Novas e criativas receitas de Bacalhau, por grandes chefs brasileiros.

Uma homenagem à caiprinha: Sidney Simões conta a história do drinque brasileiro.

O pícaro A. Falcão apresenta suas receitas de conquistar mulheres.

Um roteiro da cidade de Campina Grande, por José Nêumanne.

Pratos excêntricos e exóticos, por Caio Mourão.

Um roteiro da cidade de Natal, por Nei Leandro de Castro.

Para ver antes do almoço:
a cozinha tradicional paraibana.
(um segundinho até carregar).

Atlanta, da Guerra Civil
à Coca Cola,
por Lea Maria Aarão Reis.

Léa Maria volta de
Buenos Aires
e conta o que viu lá.

Cahors, no coração da França.
Por Celso Japiassu.

Um olhar sobre a Galícia.

Caio Mourão ensina a fazer um
exótico Risoto de Morangos.

Nei Leandro de Castro confessa
seu amor por Florença e traça o roteiro sentimental de Lisboa.

Dê uma olhada em alguns pratos de restaurantes europeus.


Vale a pena ver como se faz
um leitão.

50 Sonetos de Forno e Fogão:
apresentação,
introdução
,
receitas em a-b-c,
d-e-f
,
j-l-m,
p-r-s-t-v-x
.

Mestre Eça de Queiroz mostra
como se comia na Grécia
e na Roma antigas.

Um pequeno mergulho no País Gallego


Celso Japiassu

 

O belo país galego é diferente do resto da Espanha. Seco e marítimo, lembra mais a Bretanha francesa. O mar desempenha o mais importante papel na história, na cultura e na economia da Galícia. O interior ainda é pobre, apesar do desenvolvimento por que passa a região e a Espanha como um todo. Mas o isolamento em que sempre viveu o país manteve em compensação a originalidade da Galícia, suas tradições culturais e seus costumes antigos.


A nova Galícia, desenvolvida.

 

O nome Galícia tem a mesma raiz celta de Galia e Gales e a região foi ocupada e colonizada no Século VI antes de Cristo, durante a expansão dos celtas por toda a Europa. Em todos os cantos encontram-se ainda vestígios dos celtas e dos romanos.

A gastronomia tem seu ponto alto nos frutos do mar: mariscos, mexilhões, camarões e lagostins feitos das mais diversas e interessantes formas. Não deixe de provar a verdadeira "Coquille Saint Jacques", típicamente galega e que nada tem a ver com a que se encontra nos restaurantes brasileiros. A empanada galega, um empadão de carne ou frango muito bem temperado, também merece muita atenção.

Cada pequena cidade tem a sua padroeira e as festas religiosas costumam durar dias de muita comida e muito vinho. Se você encontrar uma dessas festas pelo caminho, vale a pena parar e se incorporar às comemorações.

Este roteiro de uma viagem de automóvel passa pela Galícia e atravessa as Astúrias e o País Basco, entrando na França.

Por todas as estradas você vai notar a reação dos galegos contra a língua castelhana. A sinalização das estradas é corrigida. Onde está escrito La Coruña, um spray corrige para A Coruña; onde se escreveu Ajuda, está corrigido para Axuda; Calle corrigida para Rua e assim por diante. É o povo galego em busca da independência impondo a sua própria língua.

Saindo de Portugal, via Valença do Minho, a primeira cidade galega, depois de atravessar o Rio Minho, é Tuy.

 

Tuy


Pertence à provícia de Pontevedra. Fundada pelos romanos, Tuy foi importante fortaleza estratégica nas lutas entre Castela e Portugal. É interessante ver as duas fortalezas, a de Valença e a de Tuy, uma em frente à outra, lembrando as lutas seculares que foram travadas nas redondezas. A catedral foi consagrada em 1232 e merece uma visita, assim como várias outras igrejas medievais muito belas e bem preservadas.

A cidade é muito pequena, apenas 15 mil habitantes. O melhor restaurante fica no melhor hotel de lá, o Parador de San Telmo (diária entre 7.200 e 9 mil pesetas).Viajando pela Galícia e por toda a Espanha, é bom prestar atenção aos paradores. Onde existir um Parador Nacional, conte com boa hospedagem e razoável (às vezes muito boa) comida. São hotéis controlados e administrados pelo Ministério do Turismo. Lá, funciona.As diárias para casal nos paradores variam entre 8 e 20 mil pesetas, dependendo do luxo das instalações e você pode, de um parador, fazer reserva para o próximo, desde que saiba onde pretende pernoitar.

 

Vigo


O mais importante posto de pesca da Espanha, de onde se deduz o que há de melhor na comida: frutos do mar, frescos, de toda especie.Vigo tem bons restaurantes, como o "Puesto Piloto Alcabre" (Av. Atlantida, 98 Tel.29.79.75). Experimente o Pote marinero, um guizado de frutos do mar, os Chocos guisados ou entao os Pimientos rellenos de marisco com arroz blanco. O chefe Argentino já veio ao Rio para um festival de comida galega promovido pelo restaurante do Salvamar. Preços entre 2.400 e 3.300 pesetas. O restaurante El Castillo, no Monte del Castro, é o mais elegante da cidade e possúi uma longa carta de pratos e de vinhos. Preços entre 2.500 e 4 mil pesetas. O vinho branco Siglo ou o verde Albariño merecem um lugar à mesa.

Para as compras, diversas boutiques sofisticadas na Via Colón ou no El Corte Inglés, grande e bem organizada loja de departamentos com filiais em toda a Espanha.

Viajando de carro, muita atenção com a saida de Vigo em busca da auto-estrada para Pontevedra. A sinalização é precária e você pode ficar dando voltas à toa. Melhor perguntar que o pessoal ajuda.

 

Pontevedra

 

O Parador Casa del Baron, embora esteja bem no centro e tenha um estacionamento muito pequeno, é confortável e silencioso e o restaurante-buffet é bom. O melhor restaurante da cidade, no entanto, é o de Doña Antonia (soportales de la Herreria, 9 Tel.84.72.74). Experimente o Revuelto Donã Antonia ou Hígado de Pato salteado com manzana.

A cidade tem cerca de 60 mil habitantes, foi fundada por navegadores gregos em época muito antiga, possúi belas igrejas medievais e um interessante museu dedicado à marinharia.

Santiago de Compostela
É a próxima parada obrigatória. Se não fosse pela igreja medieval onde estão os despojos do apóstolo São Tiago, pelo menos para ver a cidade antiga com suas construções da alta Idade Média. Comer no Don Gaiferos (Via Nueva, 23 Tel.58.38.94), onde duas pessoas podem jantar muito bem por cerca de 6 mil pesetas.

O altar da Catedral de Santiago de Compostella

É interessante notar que Santiago de Compostela foi responsável pelas grandes mudanças culturais e econômicas ocorridas na Europa a partir do Século XIII. Quando os restos de São Tiago (Saint Jacques, para os franceses) foram encontrados, construiu-se alí uma catedral e começou a época das grandes peregrinações. Multidões de peregrinos vinham de toda a Europa para obter graças em Santiago e no caminho fundaram cidades, movimentaram o comércio e foram transformando a face do continente. Mais interessante ainda é que, sete séculos depois, recomeçam hoje as peregrinações. Os esotéricos de todo o mundo, da Europa em particular, começam a refazer o trajeto para Santiago de Compostela, que novamente se vê como centro de atração dos modernos peregrinos. Os caminhos de Santiago estão voltando a ser percorridos nos seus roteiros originais que partem da França, da Alemanha, de Portugal e de quase todos os países europeus, como fruto dessa nova onda de misticismo que está varrendo o mundo.

 

A Coruña

 

Ou La Coruña, como dizem os espanhóis. Os galegos insistem na sua grafia original: A Coruña. É a Finisterra, o fim da terra, conforme acreditavam os antigos. Alí se acabava o mundo e começava o mar enorme que só terminava no abismo de uma Terra que seria quadrada.

É a capital da Galícia, com 232 mil habitantes, cheia de história onde se mesclam os romanos e as guerras marítimas pelos séculos a fora.

O restaurante Coral (Rua Estrela, 2 Tel.22.10.92) vale a parada para o almoço ou jantar, no caso de pernoite. Preços entre 2.600 e 3.100 pesetas. O melhor hotel é o Finisterre, no paseo del Parrote. Diária de 12 mil pesetas.

 

Costa Verde e Mar Cantábrico

 

Saindo d'A Corunã na direção do Oeste, depois de Ribadeo você vai beirando a Costa Verde e o Mar Cantábrico, passando pelas Astúrias. Várias pequenas cidades e vilas de pescadores, com destaque para San Vicente de la Barquera, vilarejo de praia com pequenos restaurantes de calçada, na região da Cantábria. O restaurante Maruja, na Av. Generalissimo, tem excelente cardápio de peixes e frutos do mar com preços entre 2.500 e 3.000 pesetas.

 

Santillana del Mar

 

O parador em Santillana Del Mar

Logo após San Vicente de La Barquera, ainda na Costa Cantábrica, vale a pena seguir por uma estrada secundária, a Carretera 6316, estreita mas em muito boas condições, como acontece com todas as estradas da Espanha, para pernoitar em Santillana del Mar. É uma cidade muito pequena, preservada desde a Idade Média em sua arquitetura original. Surgiu de uma pequena pousada construida para os peregrinos que vinham do outro lado da Europa seguindo o caminho de Santiago. Tem um convento do Século XIII inteiramente preservado e o luxuoso Parador Gil Blas. Nas proximidades existe a famosa caverna pré histórica de Altamira, com desenhos marcando a presença do "homem de Altamira".

Voltando para a carretera principal, você pode passar por Santander, depois por várias pequenas cidades praianas e em breve vai topar com um arco atravessando a estrada E-70 onde está escrito EUZKADI VYZCAYA. Isto significa que você está entrando no País Basco e tomando contato com sua língua muito estranha e muito antiga.

 

San Sebastian (Donostia)

 

O espanhois chamam a cidade de San Sebastián. Os bascos querem que seja Donostia. É a capital da província basca de Guipúzcoa, centro gastronômico e cultural, onde anualmente, em setembro, há um importante festival internacional de cinema. Os hotéis ficam lotados e você topa com aquelas caras conhecidas dos filmes produzidos na França, Itália, Espanha e europa oriental. Donostia é uma bela cidade marítima construida na Bahia de la Concha, balneário frequentado por quase toda a Europa, apesar dos protestos e eventualmente das bombas disparadas pelos separatistas do País Basco, que até hoje não se conformam com o domínio espanhol.

O melhor hotel é o Maria Cristina, no paseo Republica Argentina (28 mil pesetas com pensão completa) , mas você pode se hospedar confortavelmente no Orly (8 mil pesetas), que não tem restaurante mas fica bem em frente à pequena e charmosa baía.

A Academia de Gastronomia forma os grandes cozinheiros de San Sebastián, onde existem diversas confrarias de gastrônomos, clubes do bolinha onde mulheres não entram, localizadas na parte antiga da cidade. Algumas recebem visitantes para comer.

O melhor restaurante é sem dúvidas o Casa Nicolosa (Aldamar, 14 - 1.piso Tel.42.77.62). No sofisticado cardápio você pode escolher um Creme de Ave, Pimentões recheados de bacalhau, um pato trufado ou o carro chefe da casa, "Cigalas sobre hojaldre y brik". Um casal janta muito bem por 6 mil pesetas, acompanhando a comida com algumas garrafas de vinho. Preste atenção ao horário de funcionamento dos restaurantes. Abrem as 8 horas da noite e permanecem abertos pela madrugada adentro.

Compras nas lojas e nas boutiques das proximidades da Plaza Zaragoza. San Sebastian é uma cidade sofisticada e as mulheres em especial adoram passear pelas largas ruas onde estão as casas das "griffes" famosas.

Após esta breve visita ao País Basco espanhol, entre na França via Bayone para percorrer vários quilometros ainda dentro do País Basco, mas já no território francês. Se preferir ou estiver cansado de dirigir, pode deixar o carro em San Sebastián e pegar um avião para qualquer cidade da Europa.

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