Os jóvens envelheceram

 

Celso Japiassu

 

O tema da velhice nunca foi tão discutido. Raras são as edições de jornais e revistas que não tragam matérias sobre como envelhecer com saúde ou de que forma tornar mais leve esta pesada fase da vida.

 

Na internet, sítios especializados avivam a discussão, dão receitas, defendem direitos e se transformam em plataformas de vendas de produtos para os idosos. Alguns políticos elegem-se com os votos da chamada terceira idade. Agências de turismo lançam programas específicos de passeios e viagens pelo mundo.

 

As novas técnicas de marketing descobriram na velhice um valioso segmento de novos consumidores. Criam-se denominações como a mencionada terceira idade, melhor idade, idade melhor, eufemismos que procuram esconder sentidos negativos que possa carregar a palavra certa.

 

Depois de Maturidade, Alem da Idade do Lobo e Cada um envelhece como quer (e como pode), livros que escreveu sobre o homem e a mulher na meia-idade, neste Os Novos Velhos Léa Maria Aarão Reis traz rica contribuição ao debate sobre a velhice, com um amplo painel desta difícil fase da vida e seus significados. Num misto de documento e exaustiva reportagem, levanta aspectos relacionados com a política, a medicina, a sociedade, a economia. E à essência do próprio ser humano e seu destino. Leva assim o leitor a uma reflexão sobre a vida e a sua fase mais complexa e mais dramática, a que antecede a morte.

 

Os que nasceram durante, um pouco antes ou um pouco depois da Segunda Guerra Mundial foram chamados de baby boomers pela imprensa americana. A expressão veio do impacto que exerceu sobre o mundo o grande número de crianças paridas durante aqueles anos, no que foi comparado a uma explosão demográfica em que a natureza pareceu recompor as populações dizimadas no conflito. Essas crianças foram os jovens dos anos sessenta, instauradores do que parecia uma revolução cujos símbolos foram o rock’n roll, o movimento hippie, as agitações e o chienlit de 1968, as drogas e a liberdade sexual. Parecia mesmo uma revolução até que John Lennon percebeu que o sonho havia acabado. E aqueles jóvens que haviam decretado o surgimento do Poder Jovem, da Jovem Guarda, finalmente envelheceram.

 

Algo da sua inquietação, no entanto, permaneceu nos velhos de hoje. Este novo livro de Léa Maria Aarão Reis expõe isso com clareza a partir do seu próprio título – Os Novos Velhos, como a dizer que os de hoje são diferentes dos antigos velhos, os velhos velhos.

 

Das entrevistas que fez, dos depoimentos que tomou e da sua cuidadosa pesquisa Léa Maria trouxe para o leitor um diagnóstico preciso sobre esta nova maneira de envelhecer. O velho atual não se vê mais como o portador de uma doença terminal, prefere viver esta fase como uma etapa natural da vida e onde ainda há muito para viver.

 

Este não é um livro de auto ajuda, mas bem que ajuda a entender o que se passa quando se começa a envelhecer.

 

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