Gaza: somos todos responsáveis. Por Léa Maria aarão Reis.

John Lenon e eu. Por Carlos Alberto Jales.

Herói, eu? Por Carlos Alberto Jales.

Esperança do jornalismo a favor do cidadão: não à mercantilização da mídia. Por Maria das Graças Targino.

O mercado que escraviza a cultura. Por Celso Japiassu.

A curiosidade do público sobre o pormenor artístico e o sexo dos bares. Por Paulo Maldonado.

Velhice: só a ironia conforta. Por Paulo Maldonado.

Reminiscências euclideanas. Por Clemente Rosas Ribeiro.

Singela historinha de Natal. Por Moacir Japiassu.

Singela historinha de Natal. Por Moacir Japiassu.

Duas crônicas de Affonso Romano de Sant'Anna.

A crônica entre a filosofia e a graça. Por Jean Pierre Chauvin.

O Silêncio dos Amantes. Resenha de Maria das Graças Targino.

Um olhar feminino sobre a vida e sobre o mundo. Por Celso Japiassu.

A casa, a luz e os ventos. Por Silva Costa.

A minha menina má. Por Nei Leandro de Castro.

Memórias do nosso tempo: Lembrança de Silvinha.

Deixa o mago trabalhar. Por Carlos Alberto Jales.

O envelhecer, a solidão e o cansaço. Por Maria das Graças Targino.

Cheio de prosa. Por Nei Leandro de Cstro.

Quase triste. Quase feliz. Por Maria das Graças Targino.

Eu, o centro-avante Ademir e a derrota do Brasil em 1950.

Um jogo de futebol inesquecível.

O galo da Rua do Sol. Por Cláudio José Lopes Rodrigues.

Duas crônicas de Affonso Romano de Sant'Anna.

Memórias do nosso tempo: um depoimento sobre Marcos Lins. Por Clemente Rosas Ribeiro.

O século sombrio. Por Léa Maria Aarão Reis.

Elogio à Loucura. Por Maria das Graças Targino.

Celso Furtado e a história da SUDENE. Por Clemente Rosas.

Em defesa de Camila. Por Maria das Graças Targino.

Historias de amor no cinema feito para o Natal. Por Maria das Graças Targino.

Homenagem a Celso Furtado. Por Clemente Rosas.

Roberto & Lily, histórias de amor. Por Maria das Graças Targino.

Jornalismo e meio ambiente. Por Maria das Graças Targino.

Sexo: Criatividade demais estraga. Por Daniel Japiassu

Michel Moore, o documentário e a tragédia da vida. Por Léa Maria Aarão Reis.

A eternidade dos amores fugazes. Por Maria das Graças Targino.

Israel x Palestina. Uma discussão sobre o racismo. Por Léa Maria Aarão Reis.

Os traços da perversidade humana, por Graça Targino.

Quem foi Gláucio Gill, por Helio Bloch.

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Arte e Embuste

 

Arte da hora, por Hélio Jesuino.

Uma crônica de Affonso Romano de Sant'Anna dá início a um debate sobre arte e embuste.

Almandrade entra no debate e em dois artigos fala sobre a irrealidade da arte contemporânea e o descaso pela arte.

Os mecanismos de marketing da arte contemporânea. Celso Japiassu.

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O encontro de Madame Satã com o bordel das normalistas.

Daniel Japiassu entrevistou o embaixador dos havanas.

A paz no mundo, segundo Claudio Sendin.

Anotações sobre a cidade de Salvador. Almandrade.

A versão light da alma feminina. Carla Rodrigues.

Comida sob medida para neuróticos, por Carla Rodrigues.

A bicicleta que derruba, por Silva Costa.

Dois textos sobre a cidade, por Almandrade.

Luciana Souza, uma brasileira no jazz. José Nêumanne.

A mais antiga pergunta: você acredita em Deus? Por Claudio Sendin.

Um poema de Brecht e uma carta de Evandro Lins e Silva.

A publicidade selvagem contra o correio eletrônico, por Stéphane Foucart.

O discurso de Fidel Castro no aniversário da Revolução Cubana.

Conversa de botequim via telefone celular, por Caio Mourão.

O que faz uma mulher mudar a vida, por Carmen S. Martinzez.

A crise econômica é uma crise de papel. Ensaio de Leopoldo Camara.

Arrumando a casa, Silva Costa se rende à nostalgia da memória.

Relato de uma viagem ao inferno.

Nós que matamos Tim Lopes. Affonso Romano de Sant'Anna._

Um projeto para reformar a política no Brasil, por M. Peri.

Elogio aos gatos. Celso Japiassu.

Suas senhas e nossos bandidos, por Daniel Japiassu.

Juventino na malhação, por Jorge Ferenando dos Santos.

Porque Romário não vai à Copa. Caio Mourão.

Larguem o W do homem! Por Marcia Lobo.

Uma crônica de Jorge Fernando dos Santos - Uma lição de vida.

A nova tecnologia e a velha crise social. Daniel Japiassu.

Sergio Cavalcanti diz porque a internet faz mal e declara o seu amor por ela.

Sísifo pelo avesso, Fênix e os velhotes de Havana, por Léa Maria Aarão Reis

Depoimento de um campeão do futebol de botão, por Anibal Beça.

Affonso Romano de Santana conta o amor de um mineiro pelo mar.

Novo livro de Lea Maria Aarão Reis: a mulher na idade madura.

Dois Textos de Affonso Romano de Sant'Anna sobre o horror de setembro.

Guerra à guerra.
Por Daniel Aarão Reis.

O fim do mundo, segundo São Malaquias. Por Mario Jorge Dourado.

Mario Castelar estréia no site e escreve sobre a magia dos átomos e dos índios.

Caio Mourão e a tia que viajou num
disco voador.

Um adeus a Eduardo Haddad Filho, por Carlos Alberto Teixeira, em O Globo.

Léa Maria Aarão Reis escreve sobre
o que há de bom acontecendo.

É impossível passar os olhos por qualquer jornal, de qualquer dia, mês ou ano, sem descobrir em todas as linhas os traços mais pavorosos da perversidade humana [...] Qualquer jornal, da primeira à última linha, nada mais é do que um tecido de horrores. Guerras, crimes, roubos, linchamentos, torturas, as façanhas malignas dos príncipes, das nações, de indivíduos particulares; uma orgia de atrocidade universal. E é com este aperitivo abominável que o homem civilizado rega o seu repasto matinal. (Baudelaire, 1860, citado por Sontag, 2003, p. 89-90).

 

Susan Sontag

A dor do outro: a dor que doi menos

Maria das Graças TARGINO *

 

Num momento histórico, em que se discute a violência presente nos meios de comunicação - jornais e revistas impressas, programas de televisão e de rádio, sites eletrônicos etc. - a leitura do livro editado pela Companhia das Letras (2003), Diante da dor dos outros, é uma viagem ao mundo fascinante e, ao mesmo tempo, aterrorizante da fotografia de guerra.


Sua autora, a ensaísta norte-americana, Susan Sontag, privilegia a multiplicidade de leituras e de comportamentos possíveis perante a fotografia, e, mais especificamente, perante as imagens de guerra. Se antes, em sua obra intitulada Ensaios sobre a fotografia (1976), acreditava que o excesso de imagens da dor e da guerra tornara o homem mais insensível, agora, em Diante da dor..., revê sua postura e afirma que o nível de aceitação dos horrores das imagens relaciona-se com o subjetivismo de cada um, pois nem todos se tornaram passivos ou insensíveis diante do nível de violência quase insuportável da mídia, em todo o mundo, e a cada dia.


Em sua percepção, por um longo tempo, as pessoas acreditaram que, se o horror fosse apresentado de forma nítida e inequívoca, seria possível compreender toda a indignidade e insanidade de qualquer guerra.

 

Assim, independente da polêmica que sempre acompanha a atuação de fotógrafos de guerra, é preciso chamar a atenção para o fato de que esses profissionais não são protagonistas dos horrores contidos nos combates. Quase sempre, mesmo para eles, se trata de uma experiência traumática. Há um preço muito alto embutido em cada imagem. Uma fração significativa de emoção se esvai a cada vez que acionam o botão da câmera, como registrado no livro Bang Bang Club, relato da experiência de quatro fotógrafos sul-africanos (dois já mortos), que dedicaram sua vida à propagação de imagens fortes e traumáticas.


Susan Sontag traça, então, a evolução desse tipo de iconografia. Retoma as pinturas de Goya, perpassando pelas barbáries cometidas na Guerra Civil Americana, na I Guerra Mundial, na Guerra Civil Espanhola, nos campos de concentração nazistas, na Guerra do Vietnã, nos conflitos de Serra Leoa, Ruanda, Israel e Palestina, até alcançar a tragédia do século, sob a forma do atentado de 11 de setembro. No entanto, não poupa críticas ao imperialismo dos Estados Unidos, assumindo o posto de ícone da intelectualidade norte-americana para alemães e europeus da esquerda.


A princípio, tomando como referência Virgínia Woolf, analisa a distinção do olhar de homens e mulheres diante da guerra, afirmando que a máquina de matar tem um gênero, e ele é, quase sempre, masculino. Mas, se a questão da recepção das imagens de guerra ultrapassa o gênero, Susan explora não somente o sentido das imagens, mas também questiona a motivação dos conflitos e, sobretudo, os limites da solidariedade e do comportamento ético, explorando conceitos, como compaixão, verdade, moral e realidade.


Admite que o fluxo de imagens veiculadas pela mídia constitui o nosso meio circundante. Porém, ao recordar, a fotografia fere mais profundamente. A memória congela o quadro, visto que sua unidade básica é a imagem isolada. Então, exemplifica com a Guerra Civil Espanhola, fazendo alusão ao soldado retratado por Robert Capa no exato instante em que é morto por uma bala inimiga. A lembrança dessa guerra traz sempre à tona a imagem "[...] de um homem de camisa branca [...] prestes a cair, morto, sobre a própria sombra." (p. 23).


De fato, há um número quase infindável de usos e oportunidades oferecidas pelas novas tecnologias para se ver - à distância, por meio de imagens fotográficas - a dor dos outros. Fotos, como as que mostram as barbáries recentes cometidas por soldados norte-americanos contra presos iraquianos, podem e suscitam reações distintas. Apelos a favor da paz podem se intensificar. Clamores de vingança podem vir à tona, como a terrível "punição" exibida em cadeias (inter)nacionais de TV, mostrando a execução de um americano, logo após a divulgação das imagens malditas. Mas, para Susan, as fotos podem simplesmente despertar a atordoada consciência de que coisas terríveis acontecem, até porque é impossível prever o potencial da maldade humana, o que faz com que as leis sejam imprescindíveis. Afinal, os homens não são como deveriam ser: mas como os homens deveriam ser?


Em suma, Susan Sontag mais apresenta reflexões do que respostas, consciente da impossibilidade de respostas únicas diante da dor do outro. Sua obra é, essencialmente, uma reflexão sobre guerras das quais não participamos, mas conhecemos via fotografias e imagens, que terrificam, algumas vezes; magoam, muitas vezes; embrutecem, outras vezes. Ela própria admite: "Eu escrevo sobre esse abismo entre as imagens e a realidade". Sem dúvida, a dor do outro é sempre a menor dor - a dor que dói e machuca menos.


*
Maria das Graças TARGINO, doutora em ciência da informação, pesquisadora do CNPq, estudante de jornalismo.


Indicação referencial
SONTAG, Susan. Diante da dor dos outros. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2003. 112 p.

 

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