Contornos de idéias sobre utopia, mapas, pretensão humana ao conhecimento e um retratinho 3x4 do nosso real.

Paulo Maldonado

 

Tariq Ali abre o texto “O Espírito da Época” sobre o Occupy Wall Street, citando Oscar Wilde: “Um mapa do mundo que não inclua Utopia não merece ser olhado já que deixa de fora o único país no qual a humanidade está sempre desembarcando. E quando a humanidade chega ali, olha para o horizonte e, ao ver um país melhor, zarpa em sua busca. O progresso é a realização de Utopias”.

 

Zygmunt Bauman, em entrevista à Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke, afirma que a sociologia perde para a literatura quando se quer entender o que faz as pessoas ser o que são, ou seja, no alcançar a experiência human¬a com maior abrangência. Diz ter aprendido com Borges em um conto de menos de vinte linhas – “Del Rigor em la Ciencia” – sobre os limites de certas ilusões humanas. A curta narrativa é a de um ambicioso levantamento de um mapa exato e perfeito que acaba ficando do mesmo tamanho da própria coisa mapeada e, portanto, sem nenhuma utilidade.

 

Eduardo Galeano conta que ao final de uma conferência na Universidade de Cartagena das Índias, sem ter ele próprio a resposta para a pergunta dirigida à mesa, ouviu do cineasta argentino Fernando Berri, talvez um cartógrafo amador e leitor de Oscar Wilde – digo eu, a melhor definição para Utopia: “La utopía está en el horizonte. Camino dos pasos, ella se aleja dos pasos y el horizonte se corre diez pasos más allá. ¿Entonces para que sirve la utopía? Para eso, sirve para caminar.

 

O longo título deste pequeno texto ou algum respingo ácido de seu conteúdo me faz relembrar um poemeto do Fred Coutinho, companheiro das lides pelo vil metal na publicidade dos anos 80:

 

“Ode a Briosa Polícia Rodoviária Federal

 

O guarda,

A moita,

A multa.”

 

 

(voltar ao topo)