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por Léa Maria Aarão Reis.

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Madame Satã - O cinema sem gênero

Clarissa Passos*


"Madame Satã" é uma experiência de poros. Ao espectador, não resta outra possibilidade senão respirar o personagem.

 

Através de enquadramentos fechadíssimos, a câmera explora a geografia do corpo do ator Lázaro Ramos. E é por este caminho que o espectador é levado a conhecer, de muito perto, o universo de João Franciso dos Santos: o capoeirista que era travesti, o negro que espichava o cabelo, o homossexual que tinha mulher e filha.

 

Tudo no filme de Karim Aïnouk é muito. Aqui, não cabem pequenos elogios: a fotografia é soberba, a música é arrebatadora, a atuação de Lázaro Ramos, magistral.

 

Em "Madame Satã", nenhuma escolha é óbvia. A começar pelo roteiro que, antes de falar de Madame Satã, prefere mostrar a genealogia do personagem. É exatamente quando Madame Satã surge que o filme termina.

 

A fotografia de Walter Carvalho vai além do foco para buscar a essência de cada cena. Os planos muito fechados, por vezes, beiram o abstrato. Walter Carvalho parece dizer que aqueles personagens viviam mesmo fora do foco da cena principal. Eles eram a Lapa marginal dos anos 30. Numa das mais belas e delicadas cenas do filme, João Francisco diz para a prostituta Laurita que queria entrar na boite High Life, como todo mundo. A carinhosa Laurita responde: "João, você não é todo mundo."

 

A improvável família de Satã é, na verdade, igual a qualquer outra. Eles brigam e se ofendem. E fazem as pazes e se protegem. Convivem na mesma casa João, Laurita, sua pequena filha e a impagável Tabu, o travesti que sonha em se casar e "engomar os uniformes do seu anjo de bondade". É essa ternura que transborda da tela. Um amor que sobrevive à violência e à pobreza.

O homem Madame Satã não é um mito. É uma possibilidade. Ele provou que é possível ser homem e ser mulher, sem se deixar aprisionar por rótulos: "Sou bicha porque eu quero. Mas não deixo de ser homem por isso." Ele era chefe de família. E, como o homem da casa, defendeu seu lar na base da navalha e no rabo-de-arraia. Mas era também a Mulata do Balacochê que, cantando "Aurora", leva a platéia ao delírio. Satã é o superhomem de Gil.

*Clarissa Passos é publicitária e crítica de cinema

 

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