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Heranças de Festival. Por Léa Maria Aarão Reis.

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Quem quer ser um milionário? Por Maria das Graças Targino.

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A verdade é tudo. Por Léa Maria Aarão Reis.

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Sobre Bergman e Antonioni: o que faz valer a pena viver a vida. Por Léa Maria Aarão Reis.

Fest Rio 2007: filmes livres e sem fronteiras.

Resenha do excelente cinema argentino. Por Léa Maria aarão reis.

De Eastwood a Benjamin: coincidências que não são coincidências. Por Léa Maria aarão Reis.

O festival de cinema do Rio de Janeiro 2006.

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Cinema no outono de Paris. Por Léa Maria Aarão Reis.

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Um mapa para o festival.

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Moacy Cirne aponta os 100 filmes emblemáticos do Sec. XX.

Madame Satã - O cinema sem gênero, por Clarissa Passos.

Léa Maria diz porque valem a pena o teatro de Aderbal Freire Filho e o cinema de Majid Majidi.

Irresistíveis Realidades, um pequeno ensaio de Léa Maria Aarão Reis sobre o cinema e a vida .

Brother, de Takeshi Kitano, descoberto
por Léa Maria Aarão Reis.

Tudo sobre cinema como indústria
e com arte, tudo mesmo.
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Ken Loach

 

Festival do Rio 2007

FILMES LIVRES E SEM FRONTEIRAS

 

Léa Maria Aarão Reis*

 

Mundo Livre , do diretor inglês Ken Loach, dá bem uma idéia do que é o Festival de Cinema do Rio 2007: uma extraordinária seleção de cerca de 400 filmes, documentários, produções de ficção de dezenas de nacionalidades, longas, curtas, filmes nacionais, e debates e seminários.

 

Não fosse tão bem organizado como, em geral ele é, seria uma babel onde o mundo cão de hoje apresenta sua face de pesadelo.

 

Em um grupo restrito, os grandes filmes de autor oferecem um cardápio espetacular. São os mais recentes trabalhos de monstros sagrados como David Mamet, Gus Van Sant, Sidney Lumet, David Lynch, Tsai Ming-Liang, Kim Ki-Duk, Tarantino, Neil Jordan, Sokurov (o mestre russo de O Sol ), Manoel de Oliveira, Monicelli, Chabrol, Ermanno Olmi, Dennis Arcand, Ang Lee, o franco-armênio Robert Guédiguian alguns deles, gigantes. Outros são ainda pré-candidatos a se incorporarem ao grupo seleto dos filósofos e poetas cinematográficos.

 

Há também os vencedores de prêmios em festivais de prestígio, Cannes, Berlim e Veneza, em 2006 e neste ano, alguns revelações como o romeno Mungiu, que desponta com 4 meses, 3 semanas e 2 dias , Palma de Ouro 2007; a japonesa cult, Naomi Kawase, adorada por certos críticos, também premiada em Cannes, em maio, que está no Festival com Floresta dos Lamentos , e Julian Schnabel ( O Escafandro e a Borboleta ).

Embora faça falta os filmes mais recentes de Woody Allen, Wong Kar-Wai e Takeshi Kitano, a seleção, no entanto, é de grande respeito.

 

No segundo grupo, um vale-tudo de meio de campo: há os filmes de estreantes - alguns bons, outros simplesmente medíocres, da Mostra Expectativa. Selecioná-los para vê-los significa assumir risco total. O filme pode até ser muito bom, mas pode também ser uma droga.

 

Filmes comerciais se encontram nessa espécie de varejão onde a muleta do diretor, ás vezes, são grandes astros - como Jude Law e Michael Caine na refilmagem do célebre Sleuth Um Jogo de Vida e Morte , de Kenneth Branagh ou uma estrela do tipo Angelina Jolie, bem ao estilo antigo de Hollywood, como em O Preço da Coragem . Em geral, é o grupo dos artesãos, como se dizia antigamente. Lembrando que existem ótimos artesãos.

 

Vale, então, prestar atenção nos filmes de Winterbottom, Jean Becker, Tod Haynes, Wes Anderson, Billie August, Hal Hartley, Paul Schrader, o próprio Michael Moore no mínimo sempre interessante.

 

Entre os mais novos, Steve Buscemi (um excelente ator americano, agora se arvorando na direção), Ricardo Darín (outro ator enveredando pela mis en scène em La Señal) e o terceiro, Gael Garcia Bernal dirigindo Déficit . Além do italiano Saverio Costanzo, autor da pequena obra prima Invasão de Privacidade , exibida no Brasil com grande sucesso, ano passado, e encontrado em DVD.

 

No meio de campo há também vários filmes inspirados em romances. Até em Balzac ( Não Toque no Machado ) e em D. H. Lawrence - pela enésima vez, uma adaptação de Lady Chatterley .

 

A produção argentina, como de hábito de ótima qualidade, está nesse embrulho com mais um bom filme de Pablo Trapero ( Nascido e Criado ) e de Fernando Solanas ( Argentina Latente ), dois clássicos portenhos. Do México vem o cinema maravilhoso de Carlos Reygadas, com Silenciosa Luz , não por acaso Premio do Júri em Cannes, este ano.

 

Por fora, correm as Mostras Mundo Gay, Midnight Films, Tesouros, Première Brasil, e homenagens que, este ano, focalizam o cinema clássico e contemporâneo chinês e celebram John Wayne . As salas exibindo diversos filmes com o reacionário ator e legendário cauboi, por sinal, ficaram vazias. De algum modo, uma injustiça porque é uma chance de ouro rever O Homem que Matou o Facínora , de John Ford, por exemplo, em telona. E a oportunidade de assistir, mais uma vez, Tabu, de Murnau e A Idade da Terra, de Glauber.

 

Mas é no terceiro elenco onde está o verdadeiro espírito livre do festival do Rio 2007. Filmes, ficção e documentários mostrando as terríveis histórias das prostitutas nigerianas na Itália. Os meninos soldados de Serra Leoa. Os que escaparam da tortura em Bagram e Abu Ghraib. As corajosas feministas afegãs. Os presídios israelenses onde mofam milhares de prisioneiros palestinos. A humilhação dos trabalhadores clandestinos palestinos trabalhando em território ocupado por Israel sua própria terra! Os militares americanos aposentados que se organizaram para percorrer o mundo levando remédios para médicos nas regiões mais miseráveis do planeta sem ganhar um tostão. A luta da imprensa negra americana. O racismo e os imigrantes marroquinos na Europa. O inferno de Cité Soleil, no Haiti. Os anseios de independência dos curdos. A melancolia dos croatas e dos europeus centrais. A opulência dos coreanos do Sul, nos filmes que vêm de lá. Até na Mostra gay um filme, A Jihad do Amor , vem embebido do espírito político e por que não? E a China de ontem, a China de agora.

 

Mundo Livre , de Loach, talvez o título mais tristemente irônico, do Festival, lota as sessões em que é exibido, reafirma a força e a energia do cineasta inglês, a qualidade do seu cinema e a contundência do seu protesto. Desta vez, Loach sai do mundo cinzento do operário inglês das periferias de Londres - rebutalho escondido do decantado estado do bem estar social.

 

O mundo é livre apenas na fachada; nele não há liberdade para ninguém, diz Loach. Nem para a moça classe média inglesa protagonista da história nem para os imigrantes ilegais para quem ela arranja trabalho e aos quais explora de um modo repugnante, aos chilenos, brasileiros, iranianos, iraquianos, croatas, ucranianos, albaneses, gregos, poloneses e toda a terrível procissão de desempregados que emerge das sombras dos países periféricos procurando arrombar, diariamente e aos milhares, as portas do mundo rico, que o rejeita, para fugir da fome - o último recurso de sobrevivência.

 

It's a free world é um filme imperdível. É um belo resumo do Festival do Rio 2007. É um resumo do nosso mundo.

 

 

*Jornalista e autora dos livros Maturidade, Além da Idade do Lobo e Cada um Envelhece como Quer (e como Pode) da Editora Elsevier Campus

 

 

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